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Investimento Anjo · Capítulo 1 de 4

Quanto do meu patrimônio pode ir para startups?

A regra corre de boca em boca: não ponha mais de 5% a 10% em startups. Quase ninguém sabe aplicá-la, porque falta a segunda metade da frase. 5% a 10% de quê?

Da renda anual, o valor se repete todo ano e ultrapassa qualquer limite prudente. Do patrimônio total, entra na conta o apartamento em que você mora. A base defensável é o patrimônio financeiro investível, depois de separada a reserva de emergência.

Teto do programa = (patrimônio financeiro investível − reserva de emergência) × 5% a 10%

O segundo erro é tratar o teto como limite por cheque. Quem respeita o percentual e põe tudo numa empresa cumpriu a regra e violou o que de fato protege: a diversificação. O teto vale para o programa inteiro, ao longo de anos.

Um exemplo, sem prescrição. Patrimônio investível de R$ 2 milhões, reserva de R$ 200 mil e faixa de 7% dão um teto de R$ 126 mil. Com 30% guardados para acompanhar as empresas que se provarem, sobram R$ 88 mil para os primeiros cheques. Em doze empresas, o cheque médio fica perto de R$ 7 mil. É esse número, e não os R$ 126 mil, que você precisa ter em mente quando a primeira rodada aparecer.

A pergunta deixa de ser “gosto desta empresa?” e passa a ser “esta empresa merece uma das minhas doze vagas?”.

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Os três baldes do patrimônio, os cinco pré-requisitos antes do primeiro cheque, as seis armadilhas de entrada e a Calculadora de Alocação, que entrega a primeira página da sua política pessoal de investimento.

Material educacional. Não recomenda alocação para nenhuma pessoa em particular; percentuais e exemplos são referências, não prescrição.

Investimento Anjo · Capítulo 2 de 4

Por que quase todo o retorno vem de uma ou duas empresas?

“Investimento anjo rende tanto por ano” é uma frase que circula com números variados e quase nunca com a fonte. A média existe. O problema é que quase nenhum anjo recebe a média.

O estudo de referência, de Wiltbank e Boeker, acompanhou anjos organizados em grupos nos Estados Unidos, com mais de mil saídas registradas. Três fatos convivem na amostra. O múltiplo médio ficou em torno de 2,6 vezes o capital. Pouco mais da metade das saídas devolveu menos do que foi investido. E cerca de 7% das saídas responderam por aproximadamente três quartos de todo o retorno. O formato tem nome: lei de potência.

Daí a pergunta prática: quantas empresas são necessárias para a carteira provavelmente conter uma vencedora? Suponha, só como hipótese de ensino, que cada empresa tenha 5% de chance de ser uma grande vencedora.

CHANCE DE AO MENOS UMA VENCEDORA NA CARTEIRA

3 empresas
cerca de 14%
10 empresas
cerca de 40%
20 empresas
cerca de 64%
30 empresas
cerca de 79%

E quanto a vencedora precisa entregar? Dez cheques de R$ 10 mil. Seis empresas encerram e devolvem zero; três devolvem o capital. Para a carteira dobrar, a décima precisa devolver R$ 170 mil: 17 vezes o cheque.

A pergunta de seleção muda. Deixa de ser “esta empresa vai dar certo?” e passa a ser “se der muito certo, ela devolve a minha carteira inteira?”. A segunda pergunta elimina muitas empresas boas, e é isso que ela deve fazer.

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Por que média e mediana se separam e o que isso diz sobre o anjo típico, as seis armadilhas da matemática, entre elas vender a vencedora cedo, e o Simulador de Carteira, para testar número de empresas e distribuição de resultados sem prometer nenhum deles.

Material educacional. Não recomenda alocação para nenhuma pessoa em particular; percentuais e exemplos são referências, não prescrição.

Investimento Anjo · Capítulo 3 de 4

Quais sinais fazem um anjo experiente desistir de uma rodada?

Toda empresa em estágio inicial tem problemas. Quem recusa por qualquer sinal não investe em nada. O anjo experiente faz outra coisa: separa o que encerra a conversa do que vira condição.

A regra cabe numa linha. O que depende de dinheiro e de prazo se corrige. O que depende de caráter, ou de um direito já perdido, não se corrige com cheque.

SINAIS QUE ENCERRAM, SEJA QUAL FOR O RESTO

  • Integridade. Números que não batem com os documentos; dívida, passivo ou sócio omitido.
  • Estrutura. Quadro de sócios que não fecha; fundadores já abaixo de 50% no pré-seed ou no seed.
  • Titularidade. Código, marca ou ativo principal que não pertence à empresa.
  • Dedicação. Fundador principal em tempo parcial, sem data para entrar em tempo integral.

O resto é a maioria, e vira condição com data e prova: a contratação que falta no time, a métrica que a rodada precisa mover, o contrato do cliente âncora por assinar, a formalidade pendente.

Sinais médios pesam juntos. “A rodada fecha sexta e só estou falando com você” soma pressa e exclusividade: tira o tempo da diligência e isola o investidor. Rodada legítima tem prazo e aceita verificação.

A maioria das decisões ruins não vem de falta de informação. Vem de informação ignorada: o sinal estava na diligência, e o anjo investiu porque “o resto era bom”. Escrita no papel, ao lado do sinal, a frase perde força.

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Os cinco conjuntos de sinais que pesam juntos, o memorando de investimento em onze partes, com hipótese datada e pré-mortem, e as quatro disciplinas de decisão, entre elas como recusar sem fechar a porta.

Material educacional. Não recomenda alocação para nenhuma pessoa em particular; percentuais e exemplos são referências, não prescrição.

Investimento Anjo · Capítulo 4 de 4

Por que investidores inteligentes entram em rodadas ruins?

“Todo mundo está entrando, e a rodada fecha sexta.” A frase é desenhada para você não pensar.

Investimento anjo é o terreno ideal para erro de julgamento: pouca informação, muita incerteza, founders carismáticos, prazos curtos, investidores que se influenciam uns aos outros. E o resultado de cada decisão só aparece anos depois, misturado com sorte.

OS CINCO VIESES QUE MAIS CUSTAM

  • Medo de ficar de fora. Decidir pela pressa, ou porque outros entraram.
  • Ancoragem. Tomar o valuation proposto como ponto de partida e ajustar pouco.
  • Custo afundado. Deixar o dinheiro já investido decidir o próximo cheque.
  • Efeito halo. O founder brilhante esconde o mercado ou o caixa.
  • Confirmação. Fazer diligência só à procura de motivos para investir.

Ninguém se acha enviesado. Quem investiu por medo de ficar de fora lembra da decisão como convicção. Quem dobrou a aposta na empresa que afundava lembra como lealdade. A memória reescreve as decisões para que façam sentido.

Por isso viés não se corrige com força de vontade. Saber o que é ancoragem não impede ninguém de ancorar. O que impede é um passo do processo: um prazo próprio para decidir, uma noite entre a análise e a decisão, as razões escritas antes do aporte.

E muda a régua. Decisão bem feita pode dar errado por azar; decisão mal feita pode dar certo por sorte. O que se controla é o processo.

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A disciplina que enfrenta cada viés, o Diário de Decisões, com os oito campos de cada registro, e a releitura anual, que separa azar de padrão e transforma cada padrão numa regra nova.

Material educacional. Não recomenda alocação para nenhuma pessoa em particular; percentuais e exemplos são referências, não prescrição.